Colapso traqueal canino

tracheaO colapso de traquéia é uma condição definida pelo estreitamento do lúmem traqueal e o enfraquecimento dos anéis cartilaginosos que formam a traquéia, estes por sua vez,  colabam parcial ou totalmente, ocasionando uma obstrução e/ou uma diminuição do espaço, dificultando assim a passagem de ar no processo respiratório, sendo classificada como uma doença respiratória.

A traquéia está localizada na região do pescoço nos mamíferos, estendendo-se entre a laringe e os brônquios, situando-se na parte frontal do esôfago.

No cão a traquéia é formada por 42 a 46 placas cartilaginosas em forma de “C”, chamadas de anéis, intercalados por um ligamento anular fibroelástico. A porção dorsal da traquéia, livre de cartilagem, é composta de mucosa, tecido conjuntivo e músculo traqueal (HARE, 1986; ETTINGER et al., 2004; HEDLUND, 2005).

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Imagem ilustrativa : Traquéia – Bulldog Francês

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A etiologia (origem) do colapso de traquéia é desconhecida sendo provavelmente multifatorial, mas podendo incluir fatores genéticos, nutricionais, anormalidades neurológicas, fatores alérgicos e degeneração da matriz cartilaginosa. A cartilagem hialina é substituída por fibrocartilagem e fibras colágenas, ocorrendo também uma diminuição de sulfato de condroitina e glicosaminoglicano; com isto, os anéis cartilaginosos ficam menos rígidos e perdem sua capacidade de manter a conformação traqueal normal durante o ciclo respiratório. O colapso traqueal geralmente afeta toda a traquéia, embora a porção cervical ou a torácica possa estar isoladamente envolvida. Os anéis cartilaginosos geralmente colapsam em uma direção dorsoventral (Figura 1) (JOHNSON, 2000; ETTINGER et al., 2004; MAROLF, 2007).

Sintomas e características:

Os cães de raças pequenas e miniaturas são os mais acometidos como ; Poodles Toy, Mini Pinschers, Yorkshire Terriers, Spitz, Malteses, Chihuahuas, Shih Tzus, Lhasa Apsos, porém, as demais raças não citadas também podem ser acometidas por esta condição. Não há predileção por sexo e em sua maioria, os sintomas, surgem em animais de meia idade.

Entretanto, com menos de um ano de vida os animais podem ser diagnosticados com esta condição (NELSON, 1998; JOHNSON, 2000; ETTINGER et al., 2004; HEDLUND, 2005).

Os cães acometidos, podem apresentar tosse, engasgos (grasnados), como se estivessem tentando expelir algo pela garganta que os incomoda, sofrendo falta de ar severa,  moderada ou branda, cianose (gengíva e língua azul – roxeadas), e até síncopes (desmaios). Com o passar dos anos os sinais se intensificam, geralmente em animais com sobre-peso e obesos, em situações de excitação, infecções das vias aéreas, compressão traqueal externa pela utilização de coleiras, excesso de calor, exercício ou mesmo após ingerirem algum alimento ou líquido.

Vejamos alguns exemplos de casos nos vídeos abaixo:

O médico veterinário deverá identificar e diagnosticar por meio de exames físicos, clínicos associados a exames complementares (exames laboratoriais e imagem) , o colapso de traquéia, e assim poderá instituir o melhor tipo de tratamento para cada caso. É importante diferenciar os sintomas de outros problemas de saúde também relacionados com tosses, engasgos, cansaço e dificuldades respiratórias para um tratamento mais preciso e com melhores resultados.

Imagem radiográfica : Colapso de traquéia em um cão da raça Chihuahua

Imagem radiográfica : Colapso de traquéia em um cão da raça Chihuahua

Tratamento

Consiste em tratamento clínico e/ou tratamento cirúrgico nos casos mais graves e não responsivos ao tratamento clínico.

O tratamento clínico é sintomático e paliativo, não curativo (GIBSON, 2009).

No caso de paciente obeso, a redução de peso deve ser instituída e, condições que levam à obesidade tais como hipotireoidismo, hiperadrenocorticismo ou diabetes mellitus devem ser controladas. Recomenda-se a restrição de exercícios e outros eventos que causem a excitação do animal. O paciente deve ser mantido em um ambiente livre de fumaça e outros agentes irritantes ou alérgenos respiratórios. As coleiras devem ser banidas ou substituídas por peitorais (SUN et al., 2008; GIBSON, 2009).

Normalmente os cães afetados são tratados com uma combinação de antitussígenos, broncodilatadores, antiinflamatórios corticosteróides, antibióticos e sedativos (GIBSON, 2009).

O sulfato de condroitina pode ser utilizado na tentativa de melhorar o aporte de água para o interior das células permitindo melhor atividade cartilaginosa da traquéia durante as trocas de pressão de ar nos pulmões (SAITO, 2009).

A cirurgia é recomendada para todos os cães com sinais clínicos moderados a severos, que possuem uma redução de 50% ou mais do lúmen traqueal e que são refratários à terapia medicamentosa; porém, os cães que apresentam colapso ou depressão de laringe, cardiomegalia generalizada e doença pulmonar crônica são pobres candidatos ao procedimento cirúrgico (GIBSON, 2009).

Somente o médico veterinário poderá prescrever as medicações corretas e determinar o tempo de tratamento do seu animal, portanto, sempre consulte um veterinário e cuide muito bem do seu animal de estimação.

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Médica Veterinária
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